domingo, 14 de abril de 2013

João Pedroso, história que confunde-se com a da Vila Cerrito



João Pedroso, um morador muito
 especial na Vila Cerrito

João Pedroso Faustino, nasceu em 25 de fevereiro de 1939, Vila Cerrito e nunca morou em outro lugar; é também  o morador, ainda vivo, mais velho da mesma, na qual é proprietário da Chácara São João.
Seo João Pedroso é pai de sete filhos. São eles: Sueli, Roseli, Neuseli, Alisson (falecido), Alessandro, Anderson e Adalberto.
Casa em que nasceram vários filhos de Seo João Pedroso,
esta casa já não existe mais.
A exemplo de Seus pais, João Pedroso é lavrador, para ser mais preciso, um pequeno agricultor. Na condição de pequeno agricultor, para garantir a sua subsistência, a exemplo de seus pais,  criava e plantava um pouco de tudo: milho, porco, arroz, feijão, galinha, mandioca, etc. A produção se destinava para o consumo próprio, todavia, quando havia excedentes, comercializava a mesma.
Curral em que Seo João Pedroso tira leite de suas vacas,
 localizado em sua chácara, na Vila Cerrito

Discorrendo sobre sua experiência como lavrador, João Pedroso, relatou que era muito comum nas décadas de 1940, 1950 e 1960, aparecer um negociante no período da safra, o qual comprava a produção de praticamente todos os agricultores da região. Comprava, evidentemente por um preço bem baixo e revendia estes produtos nos centros urbanos por um preço muito maior. O negociante, relatado por Seo Jão Pedroso, nada mais é do que o intermediário - comerciante que se coloca entre os agricultores e os consumidores finais- e que impõe uma lógica perversa no processo, já que o lavrador não tem um bom lucro e, por outro lado, o consumidor paga muito caro pelos produtos agrícolas. Evidentemente quem obtém grandes ganhos é o intermediário.,
Foto de quando estava no quartel: detalhe,
 ao lado  modelo dos antigos caminhões fabricados pela Chevrolet, conhecidos popularmente com V-8. 
Apesar desta ação danosa do intermediário, Seo João Pedroso, relatou que naquela época, mesmo comercializando o que produzia a baixos preços junto aos intermediários, os lavradores ainda obtinham um  lucro razoável, devido ao fato de na região da Vila Cerrito, as terras serem muito boas, não havendo necessidade de utilizar veneno nas plantações, já que as pragas – ervas e insetos que provocam muitos danos, quando não à morte das lavouras, eram controlados pelos seus predadores -,logo a produtividade era muito grande e os custos de produção não tão altos como atualmente, graças a qual, o lavrador conseguia sobreviver. Para comprovar o que afirmou, Seo Jão assim relatou, “eu mesmo certa vez, ganhei um litro de feijão para plantar. Com este um litro plantado, tive a felicidade de colher um saco e meio feijão”;  plantou para consumo próprio. Do total produzido ficou com apenas meio saco, vendendo o restante, um saco.  Com o dinheiro obtido, comprou uma botina, uma tecido para fazer roupa e cigarros.
Testemunha ocular da história da Vila Cerrito.
Atualmente é único morador ainda vivo que durante toda a sua vida morou na Vila Cerrito. É a testemunha ocular mais indicada para contar um pouco da história desta Vila..
João Pedroso disse que a Vila Cerrito era, outrora dominada por campos nativos – cerrados -, nos quais havia guaivira em abundância e que parte das terras dela foram ocupadas pelas plantações de erva mate nas décadas de 1930. 1940, 1950 e 1960. Este produto, no período citado, se constituiu na base da economia do sul do Mato Grosso - esta região em 1977, foi desmembrada de Mato Grosso para dar origem ao Estado de Mato Grosso do Sul.
João Pedroso conheceu e conviveu com o Seo Nhonhô
João Pedroso revelou que conheceu e conviveu muito com o Antonio Alves da Rocha, (Seo Nhonho). Seo Nhonhô, em 1938, se estabeleceu com a Casa Comercial Cerrito, a primeira da Vila. Na verdade era um armazém – tipo de comércio muito comum no século XX, no qual o consumidor encontrava de tudo para consumir: tecidos, alimentos, equipamentos agrícolas, querosene, etc, ou seja, produtos industrializados,  agropecuários, artesanais, etc.. Estes tipos de armazéns, desempenharam o papel de precursores dos Shoppings, já que neles, evidentemente que sem a sofisticação dos últimos, as pessoas encontravam tudo o que necessitavam.
João Pedroso disse que Seo Nhonhô era um excelente farmacêutico, e que por duas vezes, ele próprio, foi curado por ele. Na primeira vez de crup e  na segunda  de uma sinusite. Sobre a sinusite relatou que Seo Nhonhô lhe passou alguns remédios para que tomasse, os quais provocaram muito secreção, eliminação de catarro e até hoje, nem dor de cabeça  sente mais.
Testemunho semelhante, atestando o grande profissionalismo, competência e conhecimentos farmacêuticos de Seo Nhonhô,  foi dado por uma das filhas de João Pedroso, Dona  Sueli , que assim se expressou: “eu estava desenganada pelos médicos, em virtude uma pneumonia. Porém, o Seo Nhonhô me curou”. Sueli disse que por conta desta doença,  seu Pai –  o Seo Jão Pedroso -, teve que vender um cavalo, cujo nome era Baio. Este cavalo, por sinal, foi domado pelo Seo João Pedroso, com o qual, ganhara muitas corridas de cavalos realizadas na cancha construída pelo Seo Nonhô nas imediações da Casa Cerrito.
Domador e corredor vitorioso.



Eis o Seo João Pedroso, em uma linda montaria, uma das coisa que 
mais gosta de fazer, inclusive nos dias atuais.Esta
foto confirma o que diz uma de suas filhas, a Sueli, ele é
extremamente vaidoso.

Seo João disse que quando mais jovem era domador de cavalos, inclusive, domou um potro, para o qual deu o nome de Baio, cavalo com o qual ganhou muitas corridas na cancha construída pelo Seo Nhonhô. Aliás o Seo Nhonhô construiu duas canchas, cujo objetivo era atrair mais fregueses para comprarem no seu comércio, a Casa Cerrito. Porém, a cancha mais prestigiada, localizava-se onde atualmente fica a propriedade do Seo Rudi Eberalto. Nenhuma das duas canchas existe mais.
Quando indagado se, por conta de ter sido muitas vezes vitorioso nas corridas, não fora muito assediado pelas moças, o Seo João Pedroso, desconversou: “as moças só se interessavam pelo meu cavalo, o Baio. Eu sempre passei despercebido perante aos olhos delas.”
Todavia, segundo sua filha, a Dona Sueli, Seo João Pedroso, era muito vaidoso e muito bonito, andava sempre muito elegante, portanto, é muito provável que muitas moças suspirassem de amor e de paixão por ele, ainda mais sendo um vencedor freqüente de corridas de cavalos.
Apenas esta roda é o que sobrou de uma carroça que foi adquirida pelo 
 Seo João Pedroso há mais de 50 anos atrás

Espora que o Seo João Pedroso, guarda
 em seu galpão,
Grande amor pela dança.
Por outro lado, Seo João Pedroso disse que além de domar, cavalgar e participar de corridas à cavalo, gostava muito de dançar. Foi à muitos bailes na aldeia indígena, já que era muito amigo do capitão da aldeia, bem como  dos policiais responsáveis por cuidar dos indígenas. Disse que ia nos bailes para se divertir e que nunca se envolveu em confusão, apesar de andar armado. Andar armado, naquele período, segundo Seo João Pedroso era normal e comum, porém, ele nunca puxou e apontou o seu revólver para quem quer que seja.
Cantil que Seo João guarda em seu Galpão,
  adquirido, segundo ele, há mais de 50 anos. 
Os estudos de Seo João
Estudou até o 3º Ano Primário. Naquele tempo – acrescentou Seo Jão Pedroso - na região os governantes não construíam escolas. As crianças estudavam na casa de alguém.. Seo João, lembra que estudou na casa do Seo André e  Deliberalina Pires, sua professora, com a qual aprendeu a ler e as quatro operações de matemática (somar, diminuir, multiplicar e dividir), conhecimento que muito o ajudou ao longo de toda a sua vida.
Revelou também que muitas crianças iam descalças para a escola, haja vista que a vida  era muito difícil. Todavia, todo mundo ia com a roupa bem limpa.
Um caminhão, a grande atração.
Seo João disse que na sua infância e mesmo na fase adulta, a presença de um carro, um caminhão na Vila Cerrito, era coisa muito rara, era mais ou menos, como se aparecesse aqui na nossa cidade um extraterrestre..  Quando chegava a notícia de que algum caminhão aparecera por lá, todo mundo ficava alvoroçado e saía correndo para vê-lo. Era um verdadeiro espetáculo.
Observação Basta lembrar que no Brasil, as montadoras de carros começaram a se instalar a partir do final da década de 1950, logo um veículo automotivo quando vinha a esta região era motivo de grande alvoroço.
Filho de uma família tradicional e de Pioneiros em Dourados.

Foto de Izidro Pedroso Filho (falecido)

Moças e rapazes, membros da família Pedroso.

Izidro Pedroso, sua esposa Alzira e a sua Filha Gladir
Foto com membros da tradicional Família Pedroso.
Só por ser integrante da família Pedroso, diga-se de passagem, família muito tradicional e pioneira em Dourados, Seo João Pedroso, já despertaria muito interesse. E o fato de ser o morador vivo mais antigo da Vila Cerrito, o torna mais importante, sob o aspecto histórico. 
Na Vila Cerrito, comprovando o prestígio da família Pedroso, um dos dois cemitérios lá existentes pertence a mesma, na qual estão sepultados um dos seus irmãos e a sua esposa).
Cemitério da família pedroso, localizado
cerca de 1000 m da Vila  Cerrito
Cemitério da Família Pedroso visto de
um outros ângulo
 Este cemitério existe há mais de cinqüenta anos e até hoje acontecem sepultamentos no mesmo. Distante da Vila, cerca de 500 metros, existe um outro cemitério, de propriedade da comunidade luterana.
Um cidadão simples, boa prosa e de bem com a vida.
A título de conclusão, sobre o Seo João Pedroso, pode ser dito, pela idade que tem,  que está muito bem, é alegre, boa prosa, continua na lida em sua chácara, na qual cria galinhas, tira leite das vacas, trata dos porcos, etc. De vez em quando, para não perder o costume, é visto cavalgando pela Vila Cerrito.







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